XXXI


Num dia comum trouxe-me um relógio e uma garrafa de vodca. Mimo perfeito para uma escritora decadente. Um me faria lembrar do tempo perco engendrando filosofias maiores que meu entendimento pode alcançar, o outro para esquecer o resto.

Agora vejo que acabo falando feito você, Jack, com aquele ritmo erótico-sarcástico, que imprimia em suas falas e que fez com que eu me apaixonasse tanto.

Sim, a palavra esgarça tanto meu sentimento que me comovo e me encho de piedade a me ver ainda tão ignorante e deslumbrada.

Por estar distante de qualquer pessoa que me entenda ou que eu possa contar tudo isso sem que pareça uma ladainha sem começo e sem fim.

No fundo, acredito que a maioria de nós pousa a cabeça sobre o travesseiro querendo dizer algo e não tem coragem.

Se abrir é perigoso, é se desarmar. E se ver frágil ao lado da pessoa com quem divide até a escova de dente é pernicioso. Temos pesadelos que não ousamos nem confessar a nós mesmos.

Sim, o mais velho e ancestral companheiro do homem é o medo da loucura, isso é o que aflige a todos, inclusive a mim, Jack!

Lembro-me do dia que me disse:

─ Você é só mais uma, baby! Não se apaixone por mim!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

notas adicionais

XXX

XXXIV