XXXIV
Somos seres sugestionáveis, escutamos histórias que nos repetem desde a mais remota civilização, somos convencidos que o caminho do meio, nem o esquerdo ou o direito. O morno, nem o quente ou o frio, nem o bom ou o ruim demais, o meio.
Esse é o caminho para o bom cristão, pois a luxúria, a gula, os excessos são pecaminosos e sujos.
O que nos sobra faz falta para alguém, os desperdícios particulares são mínguas alheias, como se isso fosse mesmo verdade.
Por isso não sigo regras, descobri cedo que desmedir os sentimentos e deixar-se à revelia dos excessos é a melhor maneira de se sentir vivo.
Os amantes jovens brincam de esconde-esconde, aquela premissa de correr na frente e se camuflar, para se misturar com a paisagem e não ser encontrado e no fim se atingirem com sustos. Pouco muda durante toda a relação, as confissões de amor desmedido, as pequenas punhaladas que fazem sangrar de alegria e de dor, que trazem dor, culpa e dúvida de sermos merecedores desse sentimento.
Os ciclos viciosos que não se quebram nunca. O eterno esconder, e cada vez mais e cada vez mais nocivamente.
A pessoa com quem dividimos nosso cotidiano é a que mais nos desconhece.
A loucura também nos é desculpa parar fugir de tudo que nos aflige e nos atinge em cheio. Tudo que não se entende ou não quer explicar é loucura.
Quando ganhava a vida nas ruas sabia bem o que era felicidade, era o que dez noites de sexo incessante pudessem comprar, ou o que me sobrasse delas.
O inferno e o céu estão muito próximos em ideologia e nenhum deles nos salva.
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