IX
Acordei hoje com seu gosto impregnado entre minhas coxas, baby!
Não que estivesse aqui para tocar meus devaneios ou dispersar angústias antigas num tempo tão ido, mas pela mão gelada de outro que me tocara fundo sem mesmo me conhecer.
Sempre deixei claro o meu desgosto por acordar cedo demais!
Não por suas mãos frias que se aconchegavam entre meus regalos mornos e carcomidos, não pelos olhos inchados pelo porre da noite anterior, nem tão pouco por minha falta de humor matinal.
Despertar era algo maior que isso, um não querer ver, um asco precoce da rotina de fingimentos e consternações.
Cedo ou tarde experimentamos uma das piores sensações humanas, a rara certeza de estar só e de não ser útil ou vital para algo maior.
O simples abrir dos olhos é mais assustador do que os becos mal cheirosos ou as navalhas presas ao pescoço ao ser currada.
Mas nada pior que ter dois olhos esquerdos e a deformidade de não me adaptar.
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