V
Embora todos os homens me tratassem bem e me fizessem feliz por algum tempo, as mulheres constantemente lançavam-me olhares de fúria e desdém, não que eu procurasse a aprovação delas, mas sempre fui rechaçada como um demônio entre as santas imaculadas no Paraíso.
No fundo sinto que queriam ser como eu, mas moças bem criadas não suportariam as cargas que já carreguei e não se sujariam como já me sujei. Mas elas aguentam calcinhas, nunca gostei delas, marcavam minhas roupas e o que é pior, dilaceravam minha carne. Melhor mesmo era não usá-las e quando alguma senhora polida me olhasse com descaso abaixava-me perto de seu cônjuge para constrangê-los em público.
Tenho porte, mas não tenho classe, baby!
A decadência foi a menina de meus olhos, mesmo que eu quisesse progredir sempre acabava me lançando na sarjeta, de onde jamais deveria ter saído. Por mais que gastasse tudo o que tinha em sapatos caros, cheirava à bebida barata.
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