VIII


Que hora é melhor que agora, esta hora que falo, mordo e sangro?

Talvez um dia eu sinta saudade do hoje, dessa carta e do derramamento espontâneo que me deixa mais frágil que nunca.

Da mesma forma que vivemos, o inferno não pode esperar, é tudo agora ao mesmo tempo, já!

As palavras desse escrito, carregadas de ternura podem enganá-lo, baby!

Mas não redigi uma linha dada aos destemperos balzaquianos e fechei os olhos para as rugas que me atravessavam o rosto, meu êxtase e castigo foram e serão as premissas da luxúria.

Recordo-me do dia que nos conhecemos, quando me encontrou numa sarjeta qualquer, depois de ter sido sugada e abandonada.

Levou-me para sua casa, tirou-me a roupa, lavou-me, como que em um batismo, onde se tira todo pecado do mundo.

Uma estrangeira entre seus lençóis e não me tocou a carne, não naquela noite!

Parecia-me engraçado não trepar comigo e se enfiar debaixo das cobertas e ficar olhando minha buceta, como se não fosse igual a todas as outras. Isso confundia e me envergonhava, tanto que fingia estar dormindo. Mas você se assegurava de que eu tivesse bem acordada, fazendo perguntas do tipo: “quantos homens já teve?”, “quem foi o primeiro?”, “ele te amou?”, “como ele te deixou?”...

Enlouqueceu-me com seu interrogatório ao ponto de eu pedir que me currasse ou quebrasse meu pescoço! Entendo que queria mais que sexo.

Talvez fizesse isso para me deixar constrangida, para me ferir, como saber?

Por isso me magoa tanto meu marido não perguntar como foi meu dia.

Os becos me eram mais gentis e menos aterradores que o cotidiano.

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