XXIV


As esperas são pequenas mortes, baby!

Perdi a conta de quantas vezes esperei algo extraordinário acontecer e acabei me vendendo para manter nossa relação, ovos e bebida.

A dimensão das coisas não me assustava tanto, sei que não me cobrou muito, mas nesses tempos que só tenho a mim, vejo que pode ter custado mais me tirar das ruas e me manter limpa.

Nunca aprendi a usar as palavras como você, sempre lidei melhor com a bebida.

Se algo me afetava eram as garrafas vazias que ouviam meus soluços de gargalo.

Quisera eu, baby, uma mulher que nasceu nos melhores berços e acabou nas ruas, saber me expressar tão bem quanto você.

Mas as coisas não são assim, como queremos. Tudo foge ao controle e só agora entendo isso.

Devotei minha vida a um sonho, quis a liberdade e provei por alguns anos amostras dela e no restante do tempo vivi das lembranças dela!

Não fiz a conta de quanto paguei, ou de quanto pagou.

Só agora tenho noção que foram os melhores tempos de minha vida.

Enfim, estamos quites!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

notas adicionais

XXX

XXXIV