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O que nos afasta da realidade é a civilidade, é o egoísmo, baby!
Não direi que fujo à regra, querem seu melhor, mas não dão nem uma migalha de si.
Quero o melhor dos outros, mas me guardo em retaguardas para não me ferir gravemente, salvo raras exceções.
A civilidade é o oco do mundo, compram-nos presentes caros, fantasias baratas e reduzem a existência a um espetáculo burlesco.
─ São os tópicos! É o carnaval, baby! - como você bem dizia - Uma alegoria transitória que se desfaz em poucos dias!
Nos deixamos envolver com a música, com a festa e a dança e esquecemos que a pintura e os disfarces não duram.
Ainda admiro você, Kerouac, tinha uma sinceridade crua, quase agressiva, mas não me decepcionava, nunca me decepcionou.
Tinha a capacidade de me foder sem palavras doces e de dizer ainda me penetrando:
─ É só sexo, baby! É só mais uma para mim! Não se apaixone!
Por mais que doesse escutar aquilo, naquele momento, eu segurava firme em seus braços e implorava por mais! Isso de certa forma me fez mais forte.
E não consegui odiar você por isso, não consigo te odiar!
É fácil cobrar o que não se tem, o que se desconhece, o que te privam.
Difícil é ser fiel aos seus princípios e ter coragem de confessar o inconfessável.
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