XXXII
Suas dúvidas me alimentavam e eu já imaginava onde isso tudo ia dar, não sabia o caminho que percorreríamos para isso, mas não poderia ter outro desfecho que não esse.
E quando me dizia que estava com outra mulher, mas não suportava a ideia de eu andar com outros homens, mesmo que isso tenha nos dado mais do que tivéramos até ali. Esse seu machismo desavergonhado, a desculpa perfeita para me fazer ciúmes e me trazer de volta pra casa.
Vejo que meus passos eram e ainda são rumo à autodestruição, muitos tentaram me salvar, mas eu não presto, não presto.
De certa forma me via refletida em seus olhos negros, pedintes, aquele desespero de quem mal sabe dizer que ama e que repele, expulsa e pune quem tenta.
Como meu avô dizia:
─ Venha minha menininha, ver o boi antes dele ir pro abatedouro, espie só o desespero no olho do bicho!
E eu, mesmo sem saber via no olho do boi o meu desespero.
Sou um amontoado de mentiras doces e de realidades desastrosas.
Sou construir, alimentar e depois destruir para viver à míngua, à margem!
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