XIII
O que acaba comigo é a realidade, baby! A verdade sobre os ombros dói mais que os golpes da palmatória e ainda trago marcas desses golpes em toda extensão da alma. A realidade arde bem mais que mãos depois do castigo! Por muito tempo me enganei inebriada pela inocente certeza de ser única, especial, insubstituível. Mas ao comprar meias-finas entendi que não fazem apenas uma e sim milhares delas, para mulheres que por algum tempo têm o mesmo gosto, vestem o mesmo número que eu! O que me diferencia das outras são esses olhos enormes e agateados, vêem longe e atraem rápido demais! Nunca quis esses olhos, nunca quis olhar as coisas com esse jeito de cachorro-do-mato, como quem assalta o galinheiro com prazer e foge para não ser apanhado. Vejo as coisas como são e não quero encarar, desejei um filtro que me protegesse dessa dor nos olhos e não há óculos escuros que me livrem da verdade. Recordei-me de uma noite em que me perguntou por que eu pedia para me foder com a força que tivesse e naq...